segunda-feira, 4 de agosto de 2008

MEU CAVALO

Ao ensejo da proximidade dos festejos e comemorações do movimento farroupilha quando culminará na semana farroupilha tendo seu ponto alto junto a data magna dia vinte de setembro, ao escrever modestos versos, de minha lavra, faço menção ao cavalo, ao galpão e ao fogo de chão , símbolos, aliás, por oportuno, neste momento, reverencio, embora, destes, algum não tido como oficial, porquanto, meu intento único é de render justa homenagem ao culto às tradições gauchas, aos idealizadores, bem como às pessoas engajadas na organização e envolvidas na participação desse tão importante evento de grande expressão e que tanto orgulha a todos nós gaúchos.



MEU CAVALO


Vejam só, eu falo aos amigos
Meu cavalo foi fenomenal
Difícil será nascer outro igual
Sei que pouca gente acredita
Mas falar inverdade quem necessita?
Não era só um cavalo, até me intrigo
Acima de tudo um bom amigo
Nem parecia do reino de animais
Este cavalo compreendia demais
Nem mesmo eu, acreditar consigo

Mas assim era esse cavalo
Foi bom de carroça
Puxava arado na roça
Era um perfeito atleta
Nunca perdeu em cancha reta
Certos momentos até assustava
Às vezes parece que falava
Quase me derrubava de susto
De prova, só meu cusco
Confesso que me assombrava

Este relato é verdadeiro
Quando à beira do fogo de chão
Nos acordes do meu violão
Cantarolava uma canção
Meu cavalo vinha à porta do galpão
Parecia ter compreensão
Cabeça erguida prestava atenção
Cantava pra ele dois versos na hora
Senão..., não se ia embora
Isso seria coisa prá investigação

Certa feita, saímos prá estrada
Numa fazenda a dar uma demão
Em grande lida de castração
Saímos nos caminhos do atalho
Nem sonhava este atrapalho
Que íamos ter pela frente
Chuva insistente virou enchente
Mudando, assim, nossos planos
Mas como bons vaqueanos
Nem rangemos os dentes

De repente chuva, e das grandes
O lajeado já não mais deu vau
Ficamos na fazenda do Nicolau
Mais ou menos três semanas
Ir adiante só se fosse na chalana
Ficamos que nem bicho na toca
Lá na fazenda atirados à matroca
Ajudando na lida caseira
Prá não botar na cabeça besteira
Que o pensamento provoca

No lajeado..., correnteza forte
Meu cavalo nem reclamava
Pois todo o dia passeava
Com Maria, a filha do patrão
Tinha milho, alfafa no galpão
Ideava com meus botões, e agora?
Será vai ele querer ir embora?
O fato, que nem ligava pra mim
Meus pelegos não queria, só o selim
Seria pelo perfume ou alivio da espora?

Baldoso e mal acostumado
Ficando apoderado no trato
Também com todo esse aparato
Agora já nem tinha escuta
Acostumado que era a lida bruta
Mas depois dessa mordomia..
Nunca teve tanta regalia
Vejam só mas que destino
Nem sabia do trejeito feminino
E agora cheio de galhardia

Tudo um dia muda, diz o ditado
A chuvarada passou..
A água do lajeado baixou
Vamos pegar a estrada de volta
Vejam só, mas que revolta!
Meu cavalo empacou, parece dizia
Não retorno sem a Maria
Senti que não teria arrego
Vai ficar curto o meu pelego
Mas era o que eu mais queria

Claro fiquei apreensivo
Agente também não se ilude
Mas a prenda tinha atitude
Disse ela, cansei da solidão
Gostei muito do alazão
Estou amando este peão
É de vocês meu coração.
Meu cavalo tomou a estrada
Com a prenda engarupada
Que veio morar no meu rincão







sexta-feira, 1 de agosto de 2008

LAGOA

LAGOA

Às vezes venho mariscar
Lustral águas tuas à meus pés
Quantos já fez saciar
No vai e vem de tua maré
O peixe mandas buscar
Nas tuas águas de axé

Fico à tua margem
Lendo teu pensamento
Escutando tua mensagem
Que só contas ao firmamento
Mas na tua homenagem
Guardarei conhecimento

Olhos rasos de ti mesmo
Salva-te em tuas tábuas
Nas seivas que correm a esmo
Para que faças a enxágua
Por si só, d’algumas mágoas
Que queiram tisnar tuas águas

Tuas águas continentais
Transportando muitas riquezas
Em teus seios naturais
Para com todos tem leveza
Pois os trata como iguais
No âmago de tua grandeza

Tamanha a contemplação
De tuas águas tão prodigiosas
É um “botar água na mão”
Nas curvas tão virtuosas
Quando é chegado o verão
Fazendo-te águas de rosas

LAREIRA



LAREIRA

Fogo de chama ardente
É o fogo d’uma lareira
É algo tão surpreendente
Aos que ficam a sua beira
Pode unir fraternalmente
Em sua volta a família inteira

Mas, contudo, até que enfim
A sós..., a amada ao lado
Quando, então, reina o sim
Afinal, instante tão esperado
Tomara isso não tivesse fim
Momentos, aliás, de significado

Nessa hora, em cena o original
Para o cumprimento à risca
Famosa praxe convencional
A gente até se belisca
Acionando som ambiental
Ao candente rubro da faísca

Um pra ti outro pra mim
Junto a lareira quente
Já recostados ao coxim
À luz do fogo tremente
Cálices tocam-se num tim-tim
Os ânimos estão salientes

Imagine quem quiser
A extensão desse arrogo
No imo aconchego do estaminé
As clássicas regras desse jogo
Só a fumaça da chaminé
A desnudar segredos desse fogo

quinta-feira, 24 de julho de 2008

MULHER

Amaviosa órbita sensual
É o mundo de "Marias"
Gravitam soltas as empatias
Em aguçado plano sensorial

Inteligência, desembaraços
Se na cabeça um escopo
Limites? Só se for o topo
Quando ao encontro de espaços

Com talento e maestria
Seja a clara, parda ou a morena
Todas roubam a cena
Em assuntos de simpatia

Agregam sem relegar descartes
Realistas nas expectativas
Precautas manifestas divas
Brilhantes de todas as artes

Altezas majestosas do alto
Senhoras de todos os shows
Todo o seguimento consagrou
Do altivo glamour de cada salto

Na busca do meu caminho
Para ganhar meu rumo
Quero alinhar meu prumo
Nessas curvas de carinho

quarta-feira, 16 de julho de 2008

EXCELSA OBRA

EXCELSA OBRA


Real é a arte que faz
Da vida o bem fazer
Fazendo o benfeitor viver
Num eterno renascer
No ventre sublime da paz



Fuja da escuridade
No rumo ao terceiro passo
Ouça a pancada no aço
Receba o fraterno abraço
Na conhecença à verdade



À ordem, mistér seja ao pé
Donde se lança o gladiador
No acirrado ânimo vencedor
Sejas teu próprio condutor
Na direção da tua fé



Reconstruir é vida ao construtor
Tua veste é mais que resguardo
E sem resquício adonisado
Com destemor fica avençado
Por excelência, avocar-se obrador



Vai!, constrói boa construção
Pois construir é teu lema
Edificar é teu emblema
E na ribalta da tua cena
Impregna justa perfeição

quarta-feira, 2 de julho de 2008

ANDEJO

Em tiras já anda meu pala
Pois sempre me acompanhou
Andante, caminheiro que sou
Por muitos lugares andou
Com este que , ora, vos fala



Andante tem mandamentos:
Que tal anda a meteorologia?
Como decorrerá o dia?
A noite será quente ou fria?
É preciso adequar paramentos



Temos de estar preparado e matreiro
Pois estrada tem segredo
Para evitar algum enredo
Temos de conversar com o medo
E tirá-lo prá aliado e parceiro



O andejo, a aventura ama
Já enfrentamos muito temporal
Bah! Granizo, chuva torrencial
Relâmpagos, trovões, um arsenal!
Até aprendemos dançar na lama



Felizmente nem tudo é aspereza
Tem o ambiental, a ecologia
Se possível a gente vai, prestigia
Assimila as benfeitorias
Para o bem estar da natureza



Assim vivemos grandes momentos
Estando em qualquer local
Interagimos à realidade social
Mesmo que ainda superficial
Agregamos sempre conhecimentos



Admiramos belas arquiteturas
Conhecemos a história d’um povo
Aprendendo a apreciar sem retovo
O acervo, o antigo e o novo
Num somatório de culturas



Seja na vinda ou na ida
Ser andejo é condição
Também pode ser opção
Há quem diga é vocação
Vai ver.., é estilo de vida

terça-feira, 1 de julho de 2008

MINHA TERRA

MINHA TERRA



O dia virou um breu
Traços de lampejo forte
No horizonte dos céus correu
Um clarão de sul a norte
No lusco-fusco silhueta apareceu
Em esplendor de grande porte



Não era pouco o espanto
"Credo cruz" barbaridade!
Seria um vulto santo?
Em meio a tempestade?
Autóctone cheio de encanto
Sentiu ver a divindade



Não se fazendo assustado
Pois o medo sempre venceu
Julgando-se um predestinado
Para a coxilha já correu
Ecoou o grito num brado

Cidade! Teu nome nasceu!



Dentre outras, a valorosa mão
Do criador de gado
Na justa reivindicação
Ao nosso glorioso estado
A efetiva emancipação
Este bom pago foi guindado



Alavancando a economia
Matadouro estruturado
Nunca vi mais sadia
Flor de tropa de gado
Tangidos à picana guia

A chegar por todo lado



Se ainda não conhece,
Esta terra, vale a pena
Vê se não te esquece
Não é grande nem pequena
Mas aqui a tua prece
Equivale a uma novena



Minha terra, centro ocidental
Este chão, tem legenda
Na lavoura, o cereal
O gado lá na fazenda
Teu povo, teu cabedal
Tua história, tua lenda!