
Desenho: Luiz A. Colomby
Fala-nos a metáfora, na eloquência de linguagem; algumas coisas depois de atiradas, são ouvidos de mercador, não voltam, ainda que se peça. Duas delas são: a “flecha lançada” e a “palavra falada”. Porém, uma disparidade entre a flecha e a alocução. A flecha quando atirada, pode ou não consumar sua proposta, seja qual for o alvo. Entretanto, na força que conduz, a palavra quando lançada pode conter substância doce ou amarga, contudo, sempre acerta o alvo: o peito de alguém. Quando o atirador lança a secreção; ou acre ou drope, não errará! Acertará, com certeza o objetivo, ou seja, alguém a ser atingido. Interessante, nessa hora, é usar a transparência como insígnia e não se preocupar com o enredo. A trajetória da flecha é objetiva e se ela veio na tua direção, contemple a linha que sagra..
A FLECHA
Se a flecha te fez alvo
Descerra cortina da paz
Convida-a para entrar
Não a deixe ricochetear
Ou desviará do lugar
E ao perder-se na escuridão
Reencontrá-la, jamais
Flecha não voa sozinha
Esta contém endereço
Só chegou a você
Pra conhecer teu coração
Impulsionada pela emoção
Se pensar em devolvê-la..
Óh! ..
Que dó!
Por favor, tá..!, Sem dor!
Sem perder a mira
Convenções, não firas
E não a devolva envenenada
E sim, com o perfume das mãos
A suavidade do teu coração
Ao invés de tortura
Que se entranhe na ternura
A flecha que se atira não volta..
Mas se ricochetear no carinho
Ainda que só por um pouquinho..
Ela voltará em teu regaço
Sequiosa do meu abraço!
