terça-feira, 22 de dezembro de 2015

RETIRO


RETIRO

QUANDO SE DÁ CONTA

SENTE A VIDA VAZIA

METAS TRAÇADAS, DESVIA      

A REFLEXÃO, DISPERSA

O ANDAR, PARALISA

AO CRIAR, REPRISA

COMO ASSIM?

TÁ NA HORA?!, JÁ É O FIM!?

O LÁPIS, NADA ESCREVE..

A ORATÓRIA, CALA

NA PAZ, DESARMONIZA

MAS O QUE É ISSO? ISSO É BREVE?

É COISA RUIM?!,  É COISA BOA?!

O CANTAR, NADA ENTOA

OUVE, NADA ESCUTA

DRIBLA, NADA CHUTA

BRINDA, SEM TIM-TIM

AH!, ISSO AÍ SIM, É RUIM!..

UFA!, O ESPERTAR, ATÉ.., ENFIM..

O GRITO INTERIOR ECOA

PRENÚNCIO DE COISA BOA!

O PALADAR VAI TER

DO SABOR O GOSTO

E A LUCIDEZ DESTA VEZ                       

NO ESPELHO VÊ UM ROSTO!

OLHA AÍ!, JÁ MUDOU O TOM..

AH!, ISSO É MUITO BOM!

NO PEITO UM CORAÇÃO

EM VITAL PULSAÇÃO

EPA! SEM DÚVIDA!

AQUI TEM VIDA!

APENAS ILUSÓRIA EMOÇÃO      

DE MOMENTÃNEO ARREFECER

É A LEITURA PARA LER:

POUCA LUZ NA ESCURIDÃO

PARA! PENSA! LARGA TUDO E VEM!

UMA PAUSA FARÁ BEM

É O CONSELHO DE ALGUÉM:

É TEMPO A REFLETIR VAIDADES

NO RETIRO.., AS OPORTUNIDADES     

DE PRONTO, A BUSCAR AVALIAR

O VIÉS EVOLUTIVO DA VIDA

E ASSIM PARAR E PENSAR:            

QUE DOAR SABEDORIA                       

FORTALECE A EMPATIA

É A ALMA A CONSAGRAR

UMA A MAIS, LUZ, A BRILHAR!                            

 

domingo, 29 de novembro de 2015

PESCARIA


PESCARIA

                                                                                                                                           

DO NADA, DEU-SE O EVENTO

ERAM DOZE COMPANHEIROS    

RUMO AO RIO PESQUEIRO

A MEIA TARDE CHEGAMOS

ACAMPAMENTO MONTAMOS

ORGANIZADA A PESCARIA

EM MEIO A ALEGRIA

ANZOL E LINHA

MUITA ISCA NA LATINHA

PESCA BOA FOI PROFECIA

 

FOGO GRANDE, FEITO

O SOL JÁ ENTRANDO

ANZÓIS VOANDO

DE MÃO EM MÃO, A PINGA    

NO ESPETO, COSTELA MINGA

OREANDO, CORDEIRO MAMÃO

SÓ ESPERANDO A OCASIÃO      

DE IR À BRASA FORMANDO

PARA AO LONGE IR ASSANDO

ESPETO FINCADO NO CHÃO

 

LINHAS JÁ NA ESPERA

NÃO FALTAVA O QUE BEBER

O BATE-PAPO A ESTENDER

ATÉ QUE ALGUÉM GRITA

BÓIA PRONTA, TRAZ MARMITA!

FOI AQUELE SALSEIRO

MUTO PRATO CHEIO

ANDRE MUITO ESGANADO        

O FEZ TRANSBORDADO             

E SE AFASTOU PELO MEIO

 

SEM SUSTENTAR “UM QUATRO”  

E SEM MUITO APURO                 

SAIU MAIS PRO ESCURO

NUM MONTE DE TERRA DURA      

PRA SENTAR MAIS À ALTURA

SEMPRE PENSAVA VANTAGEM

TALVEZ EVITAR SACANAGEM

POUCO MAIS AFASTADO               

ANDRÉ ALI BEM SENTADO            

PRA ELE, ERA ISSO CORAGEM

 
 
O CUERA SEM DAR CONTA

SENTARA NUM FORMIGUEIRO

E COMO FICOU LIGEIRO

FOI AQUELA ALARIDA

LINHAS NO RIO ESTENDIDAS

JÁ SE FOI ENROSCANDO

DEBATENDO E ESMURRANDO

O PRATO NAS ÁGUAS ROLOU

A COMIDA NO RIO ESPALHOU

ANZÓIS FORAM FISGANDO

 

ANDRE SAIU CAMPO FORA

LINHAS, ANZOIS ARRASTANDO

TODO ENROSCADO FOI PESCANDO

DEBATENDO-SE COXILHA ACIMA

PARECIA LUTA DE ESGRIMA

PEIXES SALTITAVAM NA GRAMA

SINTILAVAM AS ESCAMAS

QUANTO MAIS SE AFASTAVA

MAIS PEIXES FISGAVA

SEM QUERER FEZ A FAMA

 

LARGADOS NO ACAMPAMENTO

VINTE E OITO DOURADOS

ERA ANZOL FISGADO

PRA TODO LADO

E AS FORMIGAS PICANDO

ERA DAQUELA MIÚDA

SÓ MESMO COM AJUDA

PRA BEM DE RESOLVER

A IDÉIA FOI BENZER

BENDITO GALHO DE ARRUDA   

 

RENDEU ESSA PESCARIA

TANTO NA QUANTIDADE         

QUANTO EM QUALIDADE      

MAS EM NOME DA AMIZADE

CÁ NA CIDADE

PARA EVITAR INTRIGA

A HISTORIA FOI ESQUECIDA

MAS GANHOU APELIDO

ANDRÉ FICOU CONHECIDO:

O PESCADOR DE FORMIGA

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de novembro de 2015

A FLECHA



  
                                    
                               
                             Desenho: Luiz A. Colomby

Fala-nos a metáfora, na eloquência de linguagem; algumas coisas depois de atiradas, são ouvidos de mercador, não voltam, ainda que se peça. Duas delas são: a “flecha lançada” e a “palavra falada”. Porém, uma disparidade entre a flecha e a alocução. A flecha quando atirada, pode ou não consumar sua proposta, seja qual for o alvo. Entretanto, na força que conduz, a palavra quando lançada pode conter substância doce ou amarga, contudo, sempre acerta o alvo: o peito de alguém. Quando o atirador lança a secreção; ou acre ou drope, não errará! Acertará, com certeza o objetivo, ou seja, alguém a ser atingido. Interessante, nessa hora, é usar a transparência como insígnia e não se preocupar com o enredo. A trajetória da flecha é objetiva e se ela veio na tua direção, contemple a linha que sagra..

A FLECHA

Se a flecha te fez alvo

Descerra cortina da paz

Convida-a para entrar

Não a deixe ricochetear

Ou desviará do lugar

E ao perder-se na escuridão

Reencontrá-la, jamais

Flecha não voa sozinha

Esta contém endereço

Só chegou a você

Pra conhecer teu coração

Impulsionada pela emoção

Se pensar em devolvê-la..

Óh! ..

Que dó!

Por favor, tá..!, Sem dor!

Sem perder a mira

Convenções, não firas

E não a devolva envenenada

E sim, com o perfume das mãos

A suavidade do teu coração

Ao invés de tortura

Que se entranhe na ternura

A flecha que se atira não volta..

Mas se ricochetear no carinho

Ainda que só por um pouquinho..

Ela voltará em teu regaço

Sequiosa do meu abraço!

 

 

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

RETORNO


Astuto era este pássaro. Vi crescendo. Muito jovem já queria conhecer a vida, aventurava ensaios dos primeiros voos. Até um dia sem conter a tentação em ir mais longe, quis conquistar alturas, a independência, a liberdade; rendeu-se ao desafio em conhecer um mundo diferente. Empolgado pela curiosidade apesar da inexperiência, contudo, preenchido de alegria, atraído pela novidade, decidiu apostar. Alçou voo mais longe, tão longe que perdeu o rastro do retorno. Sem esta opção do imediato retorno, batendo asas rumou ao infinito. Passou muitos lugares, lindos lugares, mas que não lhe falavam ao coração. O tempo permanecido em cada lugar, ensejou colher as mais esplêndidas e ricas experiências, para quem sabe aproveitá-las num futuro próximo. Pouco tempo passado, o sentimento de saudade solapava seu coração vazio que o deixava em desatino. Perdera algumas penas e penachos diante do inusitado da vida que só em pensar fazia tiritar receoso, ofuscando-lhe a visão que encobria a definição do rastro a percorrer no retorno. Para retornar era preciso encarar distância, enfrentar as agruras do caminho de volta ou ficar em alhures. Lembranças do pensamento faziam o longe, perto e assim, certo dia resoluto e tomado de coragem, pulando de galho em galho conseguiu voltar ao lar. Logo, a ternura tomou lugar no seu agitado coração, agora, ancorado na base da fé e orgulho do torrão onde pertencera; o canto malsonante, harmonizou, com o..

 

RETORNO

 

NO DIA A DIA

A DISSIMULANTE ROTINA

MASCARA USOS E COSTUMES

DISTRAÍDOS EIS QUE SÃO

COM ORIGEM LIGAÇÃO

POIS, NA DISTÂNCIA

VEM TRAMAR NOSTALGIA  

 

IR É FÁCIL

PRA SEMPRE.., DIFÍCIL

A VONTADE SE IRROMPE

NO QUERER VOLTAR SEMPRE    

AO LAR DO CORAÇÃO

DE SINCERA EMOÇÃO

SEM MOSTRAR-SE VOLÁTIL

 

VOLTAR.., VONTADE DE QUEM

O SUSPIRO DOBRA – ARRASADOR!

NAS FORTES LEMBRANÇAS

TÃO IMENSURÁVEIS  

NOS ENSINAMENTOS

QUE É VIDA E NAÕ MOMENTOS

QUE SÓ O RETORNO, FAZ BEM!

 

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MUDANÇA




             A partir de empenho, no mundo do conhecimento, sempre existe a possibilidade de espaço a ser ocupado ou preenchido, contudo, faz-se mister consumar conquistas a um patamar de novas compreensões conscienciais para ascender com solidez e autonomia nas emoções evolutivas preservando a espontaneidade da vida para a consagração de alma elevada, em perspectiva de boa.. 


MUDANÇA



EM TRAÇADO DE NUANÇAS

POR TRANSIÇÃO CONSUMADA

UM COMPOSTO DE MUDANÇA

NA CONDUTA SUBLIMADA

O UNIVERSO REFERENDA

A DEMANDA CONSCIENCIAL

SE O HOJE TRANSMUTA

PARA O AMANHÃ FACTUAL

DESCABE ESMAECER SINAL

DA VIDA A GRACIOSIDADE

ACOLHA FULCRO ORIGINAL

E IDEALIZE LIBERDADES

domingo, 6 de setembro de 2015

INSPIRAÇÃO


Famoso escultor, em seus relevos assinou tantas e tantas   ímpares e grandes obras, respaldado no seu dom criativo inesgotável e admirável.  Inventivo, operoso e laborioso confinava-se em seu ateliê a trabalhar dias e dias, horas e horas,  impensadamente, sem parar, pela arte, ausentava-se da vida, dos seus afetos, até da razão maior de sua inspiração. Pois, num dado momento, não mais que de repente ela partiu sem aviso prévio. Ficou ele só, soturno e perdido em sua inspiração criativa. Sensibilizado em função de todo aquele talento agora inerte, desperdiçado, só lhe restava clamar para que a inspiração, agora, razão de sua vida, fosse preservada. 

 

INSPIRAÇÃO

A vida que respirava

o mar em movimento

como sol, brilhava

sem jamais deixar

sequer um momento

de fixar

na terra o calor

de um coração

que pulsava no amor

a própria canção

e a voz do cantador

a luz do sol

a força da oração

a calmaria do mar

o vento a curvar

à figura de escol

e o que restou?

foi o que deixou:

inverno à terra esfriar

parece tudo carregar

como avalancha em ação

até o ar a sufocar

pois se assim é

leve tudo que quiser

seja lá o que for

o teu cheiro de mulher

mas por favor,

deixe a inspiração!

sábado, 4 de julho de 2015

REMENDOS DO PALA


REMENDOS DO PALA

INDAGADO PORQUE NÃO ME DESFAÇO DESSE PALA TODO REMENDADO, DIGO: - NÃO!, ESSE PALA, PRA MIM, TEM VALOR. ENTRE TANTAS AVENTURAS PROTAGONIZADAS, ESSE PALA VELHO, NEM AINDA PENSAVA COLECIONAR REMENDOS, JÁ SUPORTAVA CHUVA, FRIO, SERVIA DE COBERTOR, AQUECIA AS ANCAS DO MEU CAVALO. ESSE PALA PASSOU PERIPÉCIAS. CERTA OCASIÃO, TRANQUILO TROPEAVA QUANDO TRAZIA O GADO PELA ESTRADA NÃO SE SABE DE ONDE SURGIU TOURO QUE SEM CONVITE AGREGOU-SE À TROPA QUE CONDUZIA E ENTREVERADO CRUZOU A PORTEIRA DA ESTÂNCIA; NÃO TEVE PROPOSTA A QUERER VOLTAR PARA A ESTRADA. NESSE DIA, FIZ O QUE PUDE, CANSARAM-SE OS CAVALOS, A NOITE CHEGOU. NO DIA SEGUINTE ERA FRIO BARBARIDADE.  SAÍ  A ENCONTRÁ-LO MORRO A CIMA. ORA VEJA, NÃO É QUE FURIOSO DEMAIS POR DETRÁS DE UM ARBUSTO ESSE TOURO BUFANDO LANÇOU-SE CONTRA MEU CAVALO ENCILHADO, EM DESVANTAGEM PELO ACENTUADO DECLIVE, JÁ NO CHÃO, SAQUEI O PALA REBOLEEI-O COMO SE UMA ARMADA DE LAÇO FOSSE E O  ATIREI PRA CIMA QUAL SUBIU ASSOVIANDO, PARECIA UM DISCO VOADOR.   O TOURO  QUANDO VIU AQUILO PAROU, LEVANTOU A CABEÇA  PARA O ALTO ESPEROU O PALA DESCER E TRATOU DE  ATROPELÁ-LO, TALVEZ ACHANDO, DE REPENTE, FOSSE EU. VAI SABER! NO RODOPIO DA DESCIDA, ENLOUQUECIDO O TOURO  DEU UMA ATROPELADA NO PALA QUE ENCAIXOU NA CABEÇA DESSE TOURO; COM O PALA VESTIDO NO PESCOÇO BERRAVA DE FURIOSO, ENROSCANDO E DESENROSCANDO AS PATAS FOI COLECIONANDO PEALOS E TOMBOS, PERCORREU GRANDE EXTENÇÃO DE CAMPO, DAQUELE JEITO CAINDO E LEVANTANDO, ASSIM DESAPARECEU CAMPO A FORA. PENSEI: - ESSE NÃO INCOMODA MAIS, PERDI MEU PALA MAS, FOI EMBORA O TOURO E PELO MENOS LIVREI-ME DOS ATROPELOS. PASSADOS UNS TRÊS OU QUATRO DIAS, AO SAIR CEDO DA CAMA COMO DE COSTUME,  PREPARAVA O CHIMARRÃO, ERA SILENCIOSA A MADRUGADA, OUVI UM BARULHO ESTRANHO, AINDA ESCURO, SAÍ PRA FORA DO RANCHO A DAR UMA ESPIADA, VI UM VULTO, NÃO É QUE VEJO MEU PALA PENDURADO NA CERCA DE ARAME E JÁ AVISTEI O TOURO; LEVEI A MÃO NO “TREZOITÃO” MAS AQUELE TOURO VEIO SE APROXIMANDO A “LOS PASSITOS”, CALMO, SERENO, CABISBAIXO, MANSINHO, NÃO É QUE NO ENLEIO DAS PATAS NA INFINIDADE DE TOMBOS E PEALOS A QUE SE SUBMETERA, POIS TE GARANTO!: - ESSE TOURO FOI AMANSADO PELO MEU PALA. FOI ASSIM QUE PRECISEI FAZER UNS REMENDOS NESSE MEU PALA QUE ATÉ HOJE ME ACOMPANHA, TCHÊ!.